
Olhando fixamente no espelho, Luiza via os seus olhos pretos e borrados. Não sabia direito porque chorava, ela estava apavorada... ela não sabia o que fazer. Fechou e trancou a porta do banheiro, e sentou-se atrás da porta fechada.
Começou a lembrar como fora parar ali... ela foi até ali a pedido da vizinha, Cláudia, que havia pedido a ela que fosse buscar uma caixa naquela casa. Luiza nem queria ir até a casa de uma dasconhecida sem ser chamada, mas Cláudia insistiu, disse que iria ser melhor para ela fazer novas amizades no bairro e já que Luiza só tinha Cláudia como amiga no seu novo bairro, ela aceitou.
Luiza tocou a campainha e uma moça alta, negra, gorda e mau- humorada saiu de dentro da casa. Luiza, envergonhada apertou as suas pequenas mãos brancas atrás das costas e falou:
-Eu vim aqui pergar uma caixa que Cláudia, a vizinha da casa de cima pediu...
-Entra!- Luiza foi entrando timidamente e devagar, ao perceber a sua demora a gorda gritou - E entra logo sua branquela!
Luiza assustou-se e correu até ficar muito peto da mulher gorda.
-Pode sentar aí... - a mulher apontou para um sofá imundo - e pode deixar que eu trago a caixa num instante.
Luiza pensou naquele instante no tamanho da vontade que ela estava de matar Cláudia, ele só queria sair dali e voltar pra casa dela. Continua sem amigos no bairro estava de ótimo tamanho... até porque, tirando os finais de semana ela passava o dia quase todo trabalhando. E se fosse para ter amigos como aquela mulher mau- humorada, ela adoraria ser solitária.
Entre um pensamento e outro ela observava o ambiente da sala onde estava. Era um sala imunda, o chão com um piso amarelado, um sofá pequeno e imundo(que por sinal ela estava sentada nele), uma televisão velha sobre de um tamburete de madeira e uma planta morta em cima da televisão.
De repente um grito desesperado veio de dentro do corredor que a gorda entrara. O grito era tão forte, tão conturbado que Luiza em um pulo levantou-se do sofá e foi em direção da porta de saída. Mas quando ela tocou na marçaneta a voz da gorda proibindo ela:
- Aonde você pensa que vai?- nessa hora os gritos haviam se transformado em gemidos de dor - você não veio pegar a caixa?
- Quem está gritando? O que está acontecendo? Me deixe ir... - Luiza estava com a garganta seca e sua voz começou a falhar.
- Você não vai embora até eu entrgar a caixa entendeu? - os gemidos lá dentro iam diminuindo - E eu acho melhor você não fugir, ou vai se arrepender.
Fugir? Ela só queria voltar pra casa. Se arrepender? Ela já estava bastante arrependida de estar naquele lugar.
Luiza voltou para perto do sofá e olhou em direção ao corredor por onde a gorda havia entrado. Do seu ponto de vista ela podia perceber em qual quarto a gorda estava por conta da enorme sombra.
Os gemidos haviam ficado abafados desde que a mulher voltara para dentro do quarto. Luiza estava com bastante medo do que estava acontecendo, mas também estava bem curiosa para saber de onde viam os gritos, porque essa pessoa gritava.
Os gemidos, ainda abafados, se transformaram em um enorme suspiro e o silêncio predominou durante algun segundos, até que os passos pesados da gorda quebraram o silêncio. Ela trazia uma caixa na mão esquerda e a outra mão coçava a cabeça.
- Aqui tá a caixa! - falou a gorda com um ar de superioridade e quase jogando a caixa contra Luiza.
- Posso ir agora? - perguntou Luiza calma e com um pouco de alívio.
- Não vai querer ver? - a gorda parecia estar fazendo um jogo com Luiza.
- Ver o que?
- Venha logo, branquela sardenta!!! - a gorda realmente não tinha paciência para explicações.
A gorda foi andando pelo mesmo corredor de antes, e Luiza foi atráz. Apesar de não saber do que se tratava, Luiza imaginava que ela quisesse mostrar a ela o motivo dos gritos e gemidos.
A gorda entrou num quarto escuro, issso dificultou a visão de Luiza por alguns segundos. Quando a visão dela voltou ela ficou apavorada, tentava gritar e não conseguia. No quarto minúsculo havia apenas uma cama com uma mulher em cima. Ela estava coberta por um cobertor branco que estava todo ensanguentado... a mulher estava com olhos fechados, provavelmente estava morta.
Luiza saiu correndo para porta de saída e deixou a gorda gritando sozinha:
- Volta aqui, sua branquela! Você não sabia? Não fez o juramento? Não deu o seu sangue? A Cláudia é uma idiot...
Luiza correu até sua casa, e quando entrou na primeira sala lembrou-se da caixa. Quando abriu-a viu muito sangue e 'coisas' que ela acreditava serem os órgãos da mulher morta. Ela começou a chorar desesperada. Luiza ouviu o portão se abrir e a voz de Cláudia chamando-a do lado de fora: - Luiza? Já chegou? - Luiza saiu correndo para o banheiro.
E olhando fixamente no espelho, Luiza via os seus olhos pretos e borrados. Não sabia direito porque chorava, ela estava apavorada... ela não sabia o que fazer. Fechou e trancou a porta do banheiro, e sentou-se atrás da porta fechada.
Ela já podia ouvir os passos de Cláudia vindo em direlão ao banheiro:
- Cláudia, amiga... o que aconteceu?
- Quem era aquela mulher? - Luiza gritava de dentro do banheiro. Cláudia tentou abrir a porta:
- Me deixa entrar que eu explico... você está chorando, linda? - Luiza ouviu Cláudia sussurando: "Droga! Ela decobriu."
- Descobri o que? A mulher morta? Os órgãos na caixa? O que vocês fazem? Porque você me mandou lá?
- Calma, Luiza... essa é uma longa história. Sai daí que eu te explico.
- Sair daqui? E você me matar e arrancar meus órgãos? - Luiza começou a procurara tesoura nas gavetas do banheiro.
- Deixa de ser tola, Luiza. Você sabe que eu jamais faria isso com você. - Luiza encontrou a tesoura.
- Vou abrir a porta. Mas você vai ter que me explicar tudo! - Luiza chorava ainda mais.
- Tudo bem!
Luiza -com a tesoura na mão esquerda e atráz das costas- destrancou a porta, e abriu-a lentamente. Olhou para Cláudia, e viu que ela estava com uma ótima expressão sem nenhuma preocupação. E que ela estava com uma faca na mão. Com um pequeno sorrizo Cláudia falou para Luiza:
- Eu sinto muito, amiga, mas você não podia ter saído sem fazer o juramento! - Cláudia levantava a mão com a faca, quando Luiza pegou a tesoura e enfiou três vezes contra o peito de Cláudia, que caiu e morreu.
- EU sinto muito amiga! - e desabou a chorar.
Luiza tentou ligar para a polícia mas não conseguia falar nada, ela não parava de chorar. Descidiu então, tomar um banho para se acalmar. Lembrou mais uma vez de tudo o que acontecera até ali naquele dia que ela gostaria que não tivesse acontecido, isso fez com que ela não se aguentasse em pá de fraqueza, nojo, lágrimas.
Sentada no chão, Luiza assustou-se com a voz da mulher gorda gritando:
- Cláudia! - e jogando-se em cima do cadáver de Cláudia, na porta do banheiro.
Quando a gorda viu que Luiza tomava banho gritou, olhando pra tráz:
- Foi ela, moço! - apontou para Luiza.
Os policiais entraram no banheiro, cobriram Luiza com uma toalha e a levaram presa e aos prentos.
